Resenha | Quando os pássaros voam para o sul

Bo vive sozinho com seu cachorro Sixten. Eles são companheiros há anos e vivem sozinhos desde que a esposa de Bo foi para um lar de idosos. Eles vivem sua rotina tranquila, mas Bo já não é o mesmo de antes. Avançam os dias e avançam suas debilidades. A velhice chegou e seus cuidadores e sua família estão atentos aos sinais. 

Será que chegou o momento em que Bo já não deve mais ser o responsável pelo seu cachorro? Será que é necessário levar Sixten para um novo lar?

Este livro nos apresenta uma narrativa que vai e volta com os pensamentos de Bo. Realmente permitindo, que nos conectemos com a velhice dele, e entendamos como sua cabeça funciona. Pode causar um certo estranhamento inicial pois as mudanças mentais são um tanto abruptas, mas acho, que é isso, que nos faz entender ainda mais Bo. Junto com sua visão, também acompanhamos as anotações feitas pelos cuidadores e seus familiares no cotidiano de seus cuidados. 

As digressões do protagonista podem levar o leitor a perceber as nuances da vida e das relações pessoais que cultivamos ao longo dela.

Essa é uma história que emociona. É impossível lê-la e não refletir sobre a finitude da vida e sobre o quanto a velhice pode ser difícil. É a autonomia perdida, a voz não ouvida e até mesmo as pessoas e companhias que são caras ao ser humanos sendo levadas. Achei bonito que a narrativa também nos mostra, mesmo que não de forma tão profunda mas no singelo, a dificuldade dos familiares, amigos e quem acompanha mais de perto essa fase. 

Não é uma história feliz, mas é uma história bonita apesar de doer em quem a lê de certa forma. Desde a primeira página me comovi com Bo. Sorri, chorei e refleti com ele. O livro se tornou um dos meus favoritos do ano, com certeza. "Quando os pássaros voam para o sul" é uma história de amor, de família e que faz lembrar o que verdadeiramente importa na vida. 

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