Resenha | O adversário

 Jean-Claude Romand cometeu um crime enorme. Ele foi o responsável por tirar a vida de toda a sua família. Os pais, os filhos e a esposa. Ele foi o único que sobrou. Se recuperou de queimaduras e até tentou negar, mas todos já sabiam. Romand era um assassino. 

Este é um caso real, que aconteceu no ano de 1993 em Paris. O crime chocou a cidade e todos ao redor. Como um homem de família, médico, aparentemente bem-sucedido e de personalidade calma, cometeu uma atrocidade dessas? E não só este crime horrendo, mas ter mentido durante toda uma vida. 

Emmanuel Carrère ficou bastante impressionado quando soube do ocorrido e seu lado escritor falou mais alto. Ele entra em contato com Romand. Ele busca tentar entender o que há por trás das atitudes e das mentiras por ele contadas. Além de corpos, se descobriu que o médico que ele dizia ser, a profissão pela qual o conheciam, simplesmente não existia. O que levou à isso?

O autor se coloca também em papel ativo na história. Questiona-se se é capaz de sentir alguma empatia por esse homem, com o qual cria uma comunicação. Diferente de outros assassinos, Romand não teve motivações que sejam possíveis tentar pensar no seu lado da história. Parece que essa casca é mesmo oca. Um vazio existencial e motivacional. Simplesmente, não houve motivos para toda a vida de mentiras que ele criou e nas consequências que essas mentiras causaram.


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