O que acontece com uma filha quando a mãe a esquece? A narradora da história de "Antes que apague" passa por isso e tenta lidar com seus sentimentos fazendo o que mais faz sentido para ela: escrever.
Uma protagonista da qual não se sabe o nome, uma mãe ainda na faixa dos sessenta anos diagnosticada com Alzheimer. Um relato feito de recortes de anotações, não seguindo uma ordem cronológica, mas dando um panorama do processo da descoberta, dos primeiros esquecimentos, do passado dessa mulher que hoje já não sabe nem quem é e essa filha, lidando com seus próprios sentimentos tanto em relação a si própria, como com os sentimentos em relação à mãe.
A forma narrativa me envolveu logo de cara. Esses fragmentos de anotações, dos dias, foram escritos de maneira simples, mas aquele simples que arrebata. Além do mais, relações maternas sempre tocam de uma forma bem intensa em mim e ler essa história foi intensidade, reflexão e também dor. Um dor pelas mulheres e as situações que perpassam o ser mulher, por essa existência que se esvai perante os olhos da filha.
Conhecer a escrita da autora foi bonito, foi sensível. O livro é daquelas potências curtinhas, mas que permanecem dentro. Mexeu lá dentro. Timerman fez com que escorresse sentimentos em sua história, sentimentos que atravessam quem a lê.

0 Comentarios