Dois irmãos sofrem a ira de um pai no interior do Maranhão. O pai é o responsável por fazer do lar um lugar hostil. A violência dele é com todos, os filhos e a mulher. Ninguém escapa. Essa mãe que aguenta essa vida por ela e pelos filhos, já que parece ser a única que conhece.
Um dos irmãos tem um sonho: conhecer o mar. E quando parece que o mais velho nunca vai querer acompanhar, tudo muda. Eles fogem em busca dessas águas. Percorrem ruas e mais ruas. Descalços, passam fome e dormem ao relento. O caminho é árduo, mas o cotidiano em que eles estavam também. Os personagens são daqueles que percebe-se as marcas deixadas pela vivência dos horrores cotidianos. São crianças que amadureceram demais. Crianças que viram e viveram coisas que nenhuma deveria.
Eu sabia que esta seria uma história de emoções. Senti muito pela mãe, senti pelos meninos. Senti por saber que há muitas famílias nesta situação. Sob o jugo da violência de um homem que nunca aprendeu a amar e que demonstra a sua frustração com a vida em cima de todos. É ficção, mas daquelas que sabemos existir aos montes
A escrita é sensível, mas traz assuntos duros que vão além da violência física, bem descritiva. O autor não poupa o leitor da brutalidade. Apesar de querer recomendar o livro para todo leitor, sei que os temas que aqui estão podem ser sensíveis demais para alguns. O autor trabalha a violência doméstica de uma forma crua, e além de ter descrições disso, há de abuso sexual, violência contra animais, e também é trabalhada a temática da homofobia.
O livro é curto, mas uma grande pancada. Fui quebrada pela história do começo ao fim, e o final... Meus amigos, acho que eu não estava preparada para o golpe final. Uma leitura tão poderosa quanto é dolorosa. A literatura nacional quando quer ser porrada, não há quem saia ileso. Conhecer a escrita de Airton Souza foi uma experiência marcante e com certeza a história desses irmãos vai ficar comigo.
