Gene precisa viajar para tratar de assuntos sobre seu visto, já que é um estrangeiro neste país e Rosa ficará sozinha por algum tempo na habitação deles. Mas será que ela será capaz de se manter segura vivendo num ambiente hostil sem ninguém junto a ela? Será que as noites negras a engolirão?
Esta é minha terceira experiência com Pilar Quintana e acho que já posso dizer que ela tem o dom de me causar incômodo com suas histórias. Aquele tipo de incômodo feito para dar o efeito de reflexão. Diferente dos outros dois livros que falam muito sobre a questão materna para a mulher, neste ela traz o medo e a solidão. Rosa sozinha lida com sua própria mente, inclusive, revivendo momentos de seu passado.
Com essa personagem, a autora trabalhou os medos do abandono, a carência, o desamparo. Para além desses sentimentos, Rosa vive um medo pelo qual todas nós, mulheres, já passamos: o medo dos homens. Ela sozinha, numa casa insegura e rodeada por vizinhos do sexo oposto, me causaram uma angústia imensa. E entendi cada vez em que Rosa se enervou. Um sentimento vivido por nós em diferentes lugares do mundo, mesmo em lugares em que deveríamos nos sentir seguras.
A trama se desenvolve em alguns dias nos quais acompanhamos essa mulher vivendo seus dias e seus temores. E por mais que minha vida não tenha nenhuma semelhança com a de Rosa, consegui ser transportada para essa Colômbia e para essa mente em dias de perturbações e aflições. "Noite negra" entrega uma história de medo, solidão e reflexão com uma narradora assombrada por sua própria mente.
