Com a morte da pintora, dúvidas recaem sobre Sona e ela se vê demitida. Mas Mira deixa uma missão para a enfermeira. A enfermeira, com a qual ela trocou confidências em seus últimos dias de vida, vai precisar abrir as asas e voar para concluir o último desejo da paciente morta. Sona entende que mesmo com medo terá de enfrentar o mundo...
O leitor é convidado a acompanhar Sona em uma viagem. A missão deixada pela pintora nos leva a diferentes lugares do mundo e a conhecer diferentes personagens que fizeram parte da vida dela e que nos ajudam a compôr um retrato real de Mira. Reconstruindo a vida da pintora enigmática, Sona começa a encontrar a si mesma. Era esse o empurrão que faltava para que ela aprendesse que a vida é muito mais do que imaginava e que as pessoas também.
Com uma narrativa mais lenta, que pediu por mais calma, me encantei em viajar nesse universo. Foi bonito ver o abrir de asas da protagonista e como a sagacidade de uma outra mulher permitiu esse acontecer. Além de trazer o recorte histórico da época, com a iminente eclosão da Segunda Guerra, a autora traz Mira Novak que foi inspirada na artista Amrita Sher-Gil, conhecida como a "Frida Kahlo indiana", uma das mais importantes artistas da Índia do século XX. Eu não a conhecia, mas realmente sua obra e vida pessoal possuem muitas semelhanças com a de Frida.
Ler esse livro me lembrou do meu amor pelos romances históricos. Uma história que retrata questões políticas, machistas e preconceituosas da época. Contando com protagonismo de personagens "mestiços", o que permite que seja reflexivo acerca de raízes e de como nos sentimos pertencentes a um lugar. Uma história sobre a força feminina e como umas podem dar força às outras.
