Mas além de ser um medicamento suspeito, o caso se complica ainda mais, quando as meninas são submetidas à um procedimento extremamente invasivo e irreparável. Civil incentiva e cuida da família Williams e leva ao tribunal a luta por justiça pelas meninas e para evitar que mais famílias negras e pobres passem por circunstâncias assim.
Apesar de se tratar de uma história fictícia, a autora usou um caso real como inspiração. No ano de 1973, no Alamaba, duas irmãs sofreram esterelização sem consentimento e ao descobrir sobre o caso, a autora ficou tão chocada. que transformou a história na obra, que mesmo sendo fictícia, serve ao propósito de fazer pensar sobre casos como esse, que inclusive, já aconteceram no nosso país.
Uma protagonista que entende a importância de usar seu lugar de privilégio enquanto mulher negra com mais recursos, para ajudar aquelas famílias que não tiveram a mesma sorte. Mas Civil também é uma personagem que lida com outras questões emocionais e tem dilemas morais e éticos.
O romance histórico é narrado com capítulos que se alternam entre o ano do acontecimento com as irmãs, 1973 e o ano de 2016, quando Civil está em um momento de reencontro com o passado e consigo mesma. A obra carrega um tema extremamente importante, que faz pensar nas desigualdades, no racismo e em como tantos inviabilizam o sofrimento dos pobres e dos negros. Em alguns momentos, confesso, me senti um tanto cansada da leitura e achei que há momentos em que não sentia a obra avançar, mas isso não tirou a importância do que a obra se propõe a entregar e acho que ela deveria ser uma história mais conhecida
