27 de janeiro de 2013 mudou a história do povo no Rio Grande do Sul e mudou para sempre a cidade de Santa Maria. O que deveria ser uma noite como qualquer outra, se tornou uma noite das mais trágicas da história do nosso país. O incêndio na boate Kiss não deixou apenas 242 vítimas fatais, mas tantas outras que até hoje carregam sua cicatriz.
Ler "Todo dia a mesma noite" me fez voltar àquele janeiro. Eu não estava lá, mas eu lembro exatamente quando e aonde estava quando vi a notícia. Esse tipo de acontecimento marca até mesmo quem só acompanha de longe. Enquanto lia, me vinham as cenas da tragédia na mente, as quais eu vi pela televisão.
Daniela Arbex consegue nos transportar, e por vezes, meus olhos se encheram d'água durante a leitura. Apesar de já conhecer essa história e ver ela todo ano ser relembrada nos meios de comunicação gaúchos, foi doloroso recordar com detalhes e hoje, como mãe, me colocar no lugar de tantos daqueles pais que perderam seus filhos. Não há como dimensionar sua dor.
Não é uma leitura fácil, mas é uma leitura que recomendo. Arbex mostra que não foi só um número, foram pessoas, famílias. Acredito que há histórias que devemos recordar para que aspossamos evitar. Um caso de tantas negligências acumuladas que culminaram numa tragédia que poderia ter sido evitada. Essa foi uma tragédia humana, evitável.
Desde o trágico janeiro muitas foram as mudanças sobre leis em casas noturnas e afins, mas sabemos que sempre há brechas e que muitos irresponsáveis que só pensam em seus lucros. O Coletivo Kiss: que não se repita, composto por sobreviventes e amigos, luta pela memória, justiça e prevenção. No site www.kissquenaoserepita.org há o espaço "Alerta Kiss" para denúncias online como superlotação, ausência de saídas de emergência e falta de equipamentos de combate a incêndio.
