É tão fácil desumanizar prisioneiros. Pessoas que são jogadas atrás das grades por diferentes motivos. Pessoas essas que ficam à margem da sociedade e por ela, muitas vezes, são esquecidas. Sim, cometeram crimes, mas deixam elas de ser humanas?
Debora Diniz passou seis meses visitando a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, com seu caderninho em mãos, ela observou a vida prisional feminina. O que seu olhar viu e o que seus ouvidos escutaram, deu vida ao livro "Cadeia", no qual as mulheres ganham voz, ganham escuta.
A leitura desse livro me fez, mais uma vez perceber, o quanto ser mulher nos larga em desvantagens, independente do cenário que seja. Elas são presas, mas também são mulheres, filhas e sobretudo mães. O lado da maternidade relatado aqui, foi o que a mim, como mãe, me doeu. Mulheres que muitas vezes chegam grávidas e quando seu filho completa determinado tempo de vida, sãos simplesmente arrancados de seus braços. Essa criança, claro, não pode viver pra sempre naquele ambiente, mas nem sempre ao sair de lá, encontrará braços amorosos na família "de fora" e outras vezes, são os abrigos o único que lhe resta.
Os filhos nascem carregando as cicatrizes das escolhas maternas. Escolhas essas, que em sua maioria, são para prover a família, e tantas vezes outras vezes, influenciada por homens. Os relatos não são para amenizar o cometido, são simplesmente para nos mostrar o que vive atrás das grades.
Uma leitura curta, mas que impacta bastante pela crua realidade. Embora eu esperasse me envolver um pouco mais, ainda assim, é um livro que nos leva a refletir sobre o lugar de abandono, invisibilidade e depósito que é o sistema prisional brasileiro.
