E se alguém lhe apontasse o dedo e dissesse a idade e a forma da sua morte? É exatamente isso que acontece com os passageiros de um voo. Uma senhora se levanta e, como se estivesse hipnotizada, aponta para várias pessoas e faz suas previsões.
Acreditar ou não? Com certeza é uma situação que assusta, e tudo se torna ainda mais aterrorizante quando três passageiros que receberam as previsões morrem exatamente como e quando ela previu. Diante disso, como não começar a acreditar que tudo aquilo é verdade?
Essa leitura foi meu segundo contato com a autora, e posso dizer que o tom das duas obras é bem diferente. Há em "O último instante" uma atmosfera de suspense em torno das premonições, mas esse não é o foco principal. A trama, na verdade, entrelaça os personagens e seus questionamentos sobre a existência, mostrando como cada um lida com a suposta data de sua partida, enquanto reconstrói o passado daquela que ficou conhecida como "a senhora da morte". Os capítulos se alternam entre as pessoas que tiveram suas vidas abaladas e a trajetória da misteriosa idosa.
A história confronta o leitor com temas sensíveis e universais: o tempo que passa sem parar, a finitude e a imprevisibilidade da vida, e a forma como escolhemos viver os nossos dias. A obra nos leva a refletir se realmente estamos vivendo como queremos, se estamos focando no que importa e fazendo valer cada um de nossos instantes.
Com uma escrita fluida e envolvente, o livro funcionou muito bem para mim. A maneira como a trama foi construída me fisgou do início ao fim, tornando a experiência muito positiva. Gosto de narrativas que me propõem esse tipo de questionamento sobre a vida. Trata-se de um drama que explora com sensibilidade os personagens e suas aflições, levando o leitor a sentir junto com eles.
