Resenha | Seis dias em Bombaim

Bombaim, 1937. Sona trabalha como enfermeira. Ela é dedicada ao seu trabalho e busca através dele conquistar uma vida mais próspera para si e sua mãe. Ela não nega conversa aos pacientes e nem um carinho, seja na forma de cuidado ou com alguma palavra, quando eles precisam. O hospital recebe uma paciente ilustre. A famosa pintora Mira Novak. Ela passa seis dias no hospital e muda a vida de Sona para sempre. 

Com a morte da pintora, dúvidas recaem sobre Sona e ela se vê demitida. Mas Mira deixa uma missão para a enfermeira. A enfermeira, com a qual ela trocou confidências em seus últimos dias de vida, vai precisar abrir as asas e voar para concluir o último desejo da paciente morta. Sona entende que mesmo com medo terá de enfrentar o mundo...

O leitor é convidado a acompanhar Sona em uma viagem. A missão deixada pela pintora nos leva a diferentes lugares do mundo e a conhecer diferentes personagens que fizeram parte da vida dela e que nos ajudam a compôr um retrato real de Mira. Reconstruindo a vida da pintora enigmática, Sona começa a encontrar a si mesma. Era esse o empurrão que faltava para que ela aprendesse que a vida é muito mais do que imaginava e que as pessoas também. 

Com uma narrativa mais lenta, que pediu por mais calma, me encantei em viajar nesse universo. Foi bonito ver o abrir de asas da protagonista e como a sagacidade de uma outra mulher permitiu esse acontecer. Além de trazer o recorte histórico da época, com a iminente eclosão da Segunda Guerra, a autora traz Mira Novak que foi inspirada na artista Amrita Sher-Gil, conhecida como a "Frida Kahlo indiana", uma das mais importantes artistas da Índia do século XX. Eu não a conhecia, mas realmente sua obra e vida pessoal possuem muitas semelhanças com a de Frida. 

Ler esse livro me lembrou do meu amor pelos romances históricos. Uma história que retrata questões políticas, machistas e preconceituosas da época. Contando com protagonismo de personagens "mestiços", o que permite que seja reflexivo acerca de raízes e de como nos sentimos pertencentes a um lugar. Uma história sobre a força feminina e como umas podem dar força às outras. 

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