Resenha | Quando

Viridiana é mãe de três filhos: Valquíria, Margarida e Tito. Ela é uma mulher amorosa, mesmo aturando um marido tóxico. Os anos passaram, e hoje, ela se encontra doente e na iminência da morte. Seu desejo é que o filho Tito volte, que após vinte anos o veja antes de partir. A ruptura familiar aconteceu quando a mãe o denúnciou à polícia. 

E é no jeito característico de Carla Madeira que vamos mergulhando nesse drama familiar. O leitor vai para a década de 80 e poderá mergulhar em temas como a maternidade, as relações tóxicas, a homofobia, a violência da época e, principalmente, aos sentimentos de culpa. 

Algo que muito me agrada na escrita da autora é como ela consegue construir os personagens, ficando latente seus sentimentos, ânseios e dores e em "Quando", não é diferente. O hiato de cinco anos do último lançamento para esse não mudou em nada o poder de construção narrativo. As costuras que ela faz, indo de passado para presente, de uma situação para outra, me encantam. 

Um livro que toca em feridas familiares e explora a ambiguidade dos sentimentos. Nem tudo que sentimos é tão preto no branco. Nós mesmos somos seres de faces e fases, nem sempre é fácil entender a si próprio, imagina então, entender aos outros. 

A história me trouxe sentimentos diversos, desde a emoção até a achar graça, e ao final, me deixou com um sentimento agridoce. 

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