Com ambientação no Rio de Janeiro e mostrando o Cais do Valongo — considerado Patrimônio Cultural, local no qual os navios aportavam para descarregar os escravizados —, a autora trouxe nessa história muito além da ficção: ela escancara como o período da escravização aconteceu e teve efeitos em nosso país.
A narrativa alterna dois personagens centrais: Nuno, um homem livre, mas "mestiço" (aquele que "deu sorte, é quase branco"), e a escravizada Muana. É por meio dessas duas figuras que vamos desvendando as circunstâncias do crime e tendo um panorama da situação social da época retratada.
Eliana, com sua escrita potente e crua, traz nessa história uma mistura de suspense, cultura, fatos históricos e religiosidade. Com maestria, a autora costura os fatos e os personagens, levando o leitor a um período duro de nossa história. Não há como não sentir e se entristecer por este capítulo que, até hoje, implica e reverbera na sociedade brasileira.
Mesmo sendo uma história forte, é uma leitura rápida, daquelas em que vamos lendo e, quando percebemos, já terminamos. Mas também é das que terminamos a leitura, mas ela ainda permanece em nós.

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