Resenha | A pérola

Kino é um jovem mergulhador que sobrevive da coleta de pérolas. As pérolas são o que mantém de forma escassa e precária a subsistência de sua família. Junto a ele, vivem na simples cabana, sua esposa e o filho, ainda um bebê. 

Mas em um dia como outro qualquer, tudo muda. Kino encontra em seu mergulho uma pérola muito maior do que as que está acostumado. Essa pérola parece bastante valiosa. Com essa coleta, a esperança de uma vida melhor para si e para os seus, enche o coração desse homem. Porém, a pérola traz junto com ela sentimentos como a ganancia, o egoísmo e a vaidade. A pérola mexe com a vida da família e da vila onde vivem de uma forma arrasadora. 

O livro foi meu primeiro contato com o autor e logo nas primeiras páginas já senti muito, me vendo imersa na vida dessa família. Apesar de sentir que pudesse ter uma profundidade maior nos personagens e nas suas relações, a obra, em poucas páginas consegue transmitir na sua simplicidade mensagens intensas.

Mesmo em uma trama direta, a complexidade humana é colocada diante do leitor: a busca e a esperança por dias melhores sendo atravessadas pelo orgulho e pela ambição. Ao longo do enredo, surgem temas que, embora não muito aprofundados, marcam a trajetória dos personagens, como o machismo, a opressão feminina, a soberba dos mais abastados em relação aos pobres e a dinâmica entre opressor e oprimido. Assuntos atemporais desde que o mundo é mundo.

Uma parábola simples e poderosa sobre a riqueza ser capaz de trazer coisas boas, mas com ela arrastar muitas coisas ruins. Sobre como as nossas perspectivas de valores podem mudar a depender das nossas circustâncias. Ao ler "A pérola" fica fácil entender por que John Steinbeck se tornou um dos grandes nomes da literatura mundial e vencedor do Prêmio Nobel.

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