Não vejo diferenças de idade em relações amorosas como um problema, mas quando uma das partes tem um caminho de vida muito mais longo, também possui muitas formas a mais de como saber manipular e violentar, exatamente, o que Hans faz com Katharina. Desde o começo essa foi uma história incômoda. Hans, para mim, é um personagem intragável. São as ações dele, que parecem pequenas dentro da relação, que vão domando a jovem,a moldando da forma com que ele acha melhor.
É angustiante pra quem vai acompanhando a leitura, porque de fora, vemos claramente como a relação é tóxica. Hans se mostra bastante possessivo e ciumento em muitos momentos. E parece que conforme a trama avança, mais avançam as formas de abuso, de domínio. Assim como também, a jovem vai se perdendo cada vez mais de quem é, de quem poderia estar se tornando. Uma jovem envolvida por uma relação tóxica, na qual cria uma relação de dependência desse homem.
A escrita foge dos padrões com os diálogos estando presentes dentro do texto, sem uma marcação para os destacar. Isso causa um certo estranhamento inicial e requer um tempo para que o leitor se acostume, mas depois que entendemos, a fluxo melhora.
A ambientação de toda essa trama se dá numa Alemanha ainda dividida pelo Muro de Berlim, sendo levantadas questões políticas dentro da história e revela, de certa forma, as diferenças entre o lado oriental (onde se dá o desenvolvimento do romance) e o ocidental. É interessante pensar que as tensões do país também se refletem na relação dos protagonistas.
Com uma trama incômoda, "Kairós" consegue mexer com o leitor. Uma história que faz com que percebamos as nuances de uma relação cheia de pequenos abusos e violências, que podem levar a destruição de uma pessoa.

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