Resenha | O menino que desenhava as sombras

Hugo é levado para Auschwitz, mas sua função é diferente daquelas as quais podemos pensar. Ele é enviado para que resolva um crime - para além dos cometido pelos nazistas -, acontecido dentro do campo de concentração. Hugo é um dos melhores criminologistas e busca fazer bem feito seu trabalho, mas ele não imaginava os horrores que encontraria lá. 

Cumprindo com suas tarefas, Hugo conhece um menino judeu que acaba o ajudando com as pistas do possível crime pelo qual ele ficou responsável pela investigação e, ao longo dessa jornada policial, Hugo se dá conta do grande erro que o povo alemão cometeu ao permitir que Hitler chegasse ao poder. 

Confesso que esperava ter tido uma experiência de impacto maior com a leitura desse livro. Sim, óbvio que as cenas descritivas dos horrores passados pelos judeus impacta, mas quanto aos personagens e a trama principal, não me senti tão envolvida. Sim, torci pelo menino Gioele, mas talvez por já ter lido tantos outros livros mais intensos sobre o período, este por se voltar mais a um lado criminal, tenha sido o motivo de sentir certo afastamento em relação a trama em si. 

Mas acho que trazer esse crime dentro de um lugar cheio de crimes cometidos, faz com que o protagonista repense toda sua trajetória dentro do sistema nazista, o que aprofunda o personagem e traz o questionamento: até que ponto silenciar, se beneficiar de certas formas do sistema é válido para a própria sobrevivência quando outros estão sendo barbarizados e tratados de forma tão desumana?

Apesar de não me sentir tão envolvida como eu gostaria, recomendo a leitura por levantar questões reflexivas e, sempre acho que devemos lembrar das partes tristes da história que já se viveu. A autora mostra bem os horrores realizados por médicos usando pessoas como experimento e apesar de ser uma barbárie, é importante que lembremos que são coisas que aconteceram de fato, há menos de 100 anos. 

O livro é uma mescla interessante de fatos reais e ficção criminal. A autora usou da história de seu avô como inspiração. "O menino que desenhava as sombras" é uma história que se propõe a mesclar fatos e ficção, levando o leitor por uma trama que expõe os horrores do período. 

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