Em Floresta é o nome do mundo, nós vamos estar Ashthe, um planeta que era como um paraíso, repleto de florestas com seu povo humanoide, com pouco mais de meio metro de altura e corpos cobertos de pelos verdes, vivendo totalmente em paz. Mas esse paraíso é ameaçado com a chegada de um outro povo.
Esse povo estranho a eles, veio de um planeta em que apenas se sobrevive. Seu ambiente está devastado, seu povo vive faminto e eles só enxergam o povo de Ashthe como animais selvagens que precisam ser domados e seu planeta dominado. Esse povo invasor vem de um planeta chamado Terra.
O cenário da minha primeira experiência com Ursula K. Le Guin é assim. E apesar de uma ficção, não é muito difícil de imaginar a Terra devastada e nem que o ser humano seja capaz de invadir e dominar um outro povo. Essa já é uma das reflexões que a trama carrega. A colonização de um povo por meio da escravização, da força bruta, da sua mão de obra gratuita, do estupro de suas mulheres, algo que lembra bem a própria colonização do Brasil.
Ursula mostra o pior lado do ser humano. A ganância, a sede de poder, o egoísmo, o racismo, a brutalidade. Tudo isso nos leva a reflexão de que devemos aprender a olhar para o diferente, a olhar com mais carinho para o outro. Lembrar que o ser humano não está acima de tudo e que não é quem manda. O livro mostra também que o ser humano também pode ensinar a maldade.
Um livro de ficção científica fantasiosa mas que reflete tão bem a realidade.
VOCÊ JÁ LEU ALGUM LIVRO DE URSULA? GOSTA DE LIVROS QUE REFLETEM A REALIDADE MESMO QUE NÃO SE PASSE NELA?
Em seu romance de estreia, a autora Renée Ahdieh tem como inspiração os contos populares ocidentais de As mil e uma noites e é na atmosfera árabe que mergulhamos nesta história. Conhecemos a jovem Sherazade que se entrega como noiva ao rei de Khorasan que tem uma fama péssima.
Khalid Ibn Al-Rashid é impiedoso e em cada dia da sua vida se casa com uma nova esposa e em toda aurora, essa mulher é morta. Sem explicações, sem dar qualquer tipo de motivo para isso, ele é considerado um tirano pelo seu povo. E é por vingança, à morte de Shiva, sua melhor amiga, que a jovem Sherazade se voluntaria para ser mais um das noivas de Khalid.
— Viemos até aqui apenas por um livro, baba?— Por apenas um, querida. Apenas um.— Deve ser um livro muito especial.— Todos os livros são especiais, querida.
Mas é com a promessa de contar uma história ao rei que Sherazade consegue a proeza de não ser morta na primeira aurora e vocês já podem imaginar que ela irá descobrir que talvez, esse rei tenha mais coisas por dentro do que apenas maldade.
O livro tem muitas coisas para agradar os leitores. Temos dose de fantasia, de mistério e romance, claro. O romance no início da história não me agradou tanto, mas aos poucos com o decorrer da trama vi um pouco de melhora entre o casal com um pouco mais de entrosamento além daquela paixão imediata clichê.
— Você está comparando o meu sofrimento com o de uma criança?Omar balançou a cabeça com um sorriso confuso — Uma perda é sempre uma perda. E a lição é sempre a mesma.
Os personagens secundários me agradaram bastante e consegui me sentir dentro da atmosfera do livro, lia como se estivesse dentro de um castelo árabe. E apesar de não poder dizer que amei esse livro, ele termina de uma forma que fica quase impossível não querer ler o segundo volume dessa duologia.
Ficha Técnica
Autora: Renée Ahdieh
Editora: Globo Alt
Ano: 2016
Páginas: 336
NOTA: 4,0 / 5 ⭐
Humanos vivem coexistindo com o mundo místico dos feéricos. Cada um ao seu lado de uma muralha. A família de Feyre, uma jovem humana, vive em situação de pobreza e diante disso, a jovem sai à caça de animais na floresta para sobreviver. A floresta traz perigos, além dos selvagens comuns aos humanos, podem haver ainda seres do mundo místico que vivem em iminência de cruzar a muralha.

Ficha técnica
Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Ano: 2015
Páginas: 434
Feyre mata um lobo em meio às suas caçadas e não podia imaginar o quanto a sua vida seria revirada por esse fato. Não vou contar o que acontece com detalhes, mas a jovem se vê sendo levada ao outro lado da muralha invisível e precisando conviver com os seres dos quais sempre ouviu histórias horríveis serem contadas. Mas ela não sabe mesmo o quanto a sua vida será mudada.
Não se sinta mal nem um segundo por fazer o que a faz feliz.
A "besta" que a levou não age da forma que a moça imaginava e vocês podem prever o clichê aqui, certo? Feyre começava a se dar conta de que as histórias que ouviu não são tão verdadeiras assim,ao menos nem todos os seres são tão maléficos como se pensava. Do outro lado da muralha também existe o bem e o mal, como em tudo, há dois lados da moeda.
— Você não sabe escrever, mas aprendeu a caçar para sobreviver. Como?
Parei com a mão no portal.
— É o que acontece quando você é o responsável por vidas que não são a sua, não é? Você faz o que precisa.
Comecei esse livro com receio de não gostar porque nem sempre consigo me adentrar nas fantasias, mas a trama me cativou, mesmo trazendo elementos bem semelhantes a outros livros que já li. Isso não foi algo que me incomodou durante a leitura. Desde o princípio me vi bem envolvida com o mundo contido nas páginas do livro.
Confesso que o começo da estória me fez esperar por uma mocinha diferente, mas ela foi mesmo uma mocinha. Feyre pode incomodar um pouco durante a leitura. Ela aceita muito facilmente as coisas, parecendo que não nutre uma opinião própria diversas vezes e o fato dela sempre ser salva por um macho incomodou meu lado feminista. Porém, isso não me desanimou, já que há outros personagens que eu adorei muito.
Era difícil conter as lágrimas, mas consegui. Não daria àquelas pessoas a satisfação de me ver desmoronar.
O conjunto do livro é ótimo e quero seguir a ler os outros dois livros que se seguem a esse. O primeiro livro acaba e deixa aquela sensação de querer mais sobre aquele mundo e em como seguirá a vida além dali. Apesar da mocinha não ser das mais cativantes e de algumas previsibilidades na trama, a escrita te envolve e eu recomendo a leitura.
Mas aproveitei o momento; minha vida ficou linda de novo durante aqueles poucos segundos em que nossas mãos se encontraram.
NOTA: 4,5/5 🌟
Que ano cheio de coisas boas, não é mesmo? E para o segundo semestre do ano, chegará ao Brasil mais um livro da série 'O lar da srta. Peregrine", de Ransom Riggs, que trouxe aos leitores um mundo de histórias fantásticas, criaturas peculiares e poderes.
Em 'Map of Days', o autor vai levar os peculiares para os Estados Unidos e a aventura começa com Jacob Portman, retornando com a srta. Peregrine e seus amigos à Flórida. Em novo tempo e novo continente, o grupo explorará as fendas atemporais americanas e Jacob descobrirá sobre o passado de seu misterioso avô, Abe.
Contendo mais fotos bizarras, como nos volumes anteriores, 'Map of Days', chega aos leitores do Brasil no segundo semestre, segundo a editora Intrínseca. A capa original, americana deste novo livro pode ser conferida abaixo. Será que se manterá assim por aqui? Ansiosos para essa estreia?