Léna passou por um trauma e para fugir das lembranças, tentar fugir talvez, dela mesma, decidiu fazer uma viagem. Agora ela se encontra na Índia, bem longe de casa. Ela tenta se reencontrar, encontrar algum propósito neste país que não é o seu...
Num dia, ela encontra o mar e com ele, quase perde a própria vida, não fosse pela ajuda de uma menina e um grupo de mulheres. É com esses dois encontros que a vida dela se transforma e parece que um propósito é finalmente encontrado. Mulheres bem diferentes dela e uma menina que não fala o mesmo idioma são um novo norte a ser seguido.
Já havia lido os outros dois livros da Laetitia Colombani publicados no Brasil e ela sempre consegue me marcar. Sei que sempre vai abordar assuntos de força feminina, que muito me interessam nas leituras. E mais uma vez, fui completamente marcada por uma história dela. Mais uma vez uma história de força feminina e sororidade.
Como estudante de um curso de licenciatura, sei as questões difíceis da educação e claro, que esse tema ser abordado na história, me tocou num lugar ímpar. Léna acredita no poder da educação e numa Índia, onde não se crê muito nela, principalmente nos locais mais pobres, ela passa por muitas dificuldades buscando dar isso para quem estiver ao seu alcance.
Uma história sobre as dificuldades das mulheres indianas, sobre a luta de cada uma delas e sobre a educação. A história também retoma personagens do livro "A trança" da autora e foi um maravilhoso reencontro por aqui, poder saber o que se passou depois daquele final. Uma história que me emocionou e me deixou com o coração esperançoso também. Uma narrativa curta, mas sensível e de reflexão.
Inaugurado em junho de 1986, O Palais de la Femme (Palácio da Mulher) é um dos prédios mais famosos do Exército de Salvação no mundo. Idealizado por Albin e Blanche Peyron como um centro para atender mulheres em situação precária e era, na época, o maior centro social da Europa, com 750 quartos.
O prédio que foi construído em 1910, antes de ser usado pelo Exército da Salvação, foi também um convento, um hotel e até mesmo um hospital durante a Primeira Guerra Mundial.
Ainda hoje, ele segue a ideia original e permanece acolhendo mulheres e seus filhos, que estejam em busca de refúgio. E nele há dois tipos de atendimento: o de longo tempo e a residência social. Atualmente conta com 350 suítes e cozinhas em todos os andares, atendendo 350 mulheres, tendo metade delas já sofrido algum tipo de violência doméstica.
Em As vitoriosas de Laetitia Colombani conhecemos um pouco dessa história, e apesar do livro trazer personagens fictícias, também nos apresenta um pouco da história real desse lugar e de Blanche Peyron, que lutou tanto pela existência dele. As vitoriosas é uma história que inspira, que mostra a força da união feminina e por aqui foi uma leitura incrível de fazer.
Para além de uma trama inspiradora, As vitoriosas me trouxe esse conhecimento. Até então, eu não conhecia o trabalho do Palais de la Femme e nem a história de como ele foi e é usado pelo Exército da Salvação até hoje. Me emocionei e ganhei esse saber, que hoje divido aqui com vocês.
Livros para além de fazer sentir nos ensinam.