Resenha | Uma vida tão distante

Em 1957, a família McBride cuida de sua estância de ovelhas sem poder imaginar que uma grande tragédia está caminhando em sua direção. O negócio familiar prospera, mas é numa viagem, no começo de 1958 que um acidente fatal muda a vida dos habitantes da fazenda Meredite Downs. 

Após o acidente, Lorna (a mãe), Rose (a irmã) e Matt (o irmão sobrevivente) terão que aprender a se reconstruir depois das perdas. Matt teve perda de memória e sua recuperação leva tempo. Uma família com grandes cicatrizes. Será possível deixar tantas dores e verdadeiramente seguir em frente? Ao longo de algumas décadas acompanhamos os personagens e suas tentativas de curar as feridas. 

Ler esse livro foi uma experiência intensa, mais intensa do que eu poderia esperar. Personagens que causam um misto de sentimentos, sobretudo Matt, que causa aquela vontade de sacudir por algumas escolhas, mas também conseguimos entender o peso do que ele carrega. Uma construção muito rica dos sentimentos, dos pensamentos e das atitudes de todos os personagens que compõem a trama, com a ambientação também servindo como ponto de amparo para o comportamento de quem ali vive.

Cabe destacar a construção de Rose que foi tão bem elaborada e me causou um baque profundo acompanhar a trajetória dela. A escrita da autora em relação aos personagens foi tão bem feita que sofri de maneira profunda as consequências na vida de cada um deles, ao mesmo tempo que torcia tanto para que cada um deles fosse feliz apesar de tudo que carregavam dentro. 

Fui me sentindo a capa página mais envolvida com a história, que em muitos momentos foi para lugares bastante inesperados, me surpreendendo quando eu menos esperava. Há cenas que impactam e que chocam. Além disso, a trama trata de temas sensíveis em relação à sociedade numa época anterior, na qual muitas situações não eram aceitáveis como nos dias atuais, tornando a ambientação mais uma vez de extrema importância. A trama aborda temas como suícidio, homofobia, machismo, etc...

"Uma vida tão distante" é um drama familiar profundo, que trata de dores e de relações de afeto de uma forma sensível. Décadas transcorrem e permitem ao leitor um amplo olhar aos personagens e as situações vividas por eles. Uma história que me tocou, que me fez envolver com as vidas dos personagens e como me senti vivenciando todos os sentimentos envolvidos na trama. 

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