Mika tinha apenas dezenove anos quando ficou grávida. Ela não tinha estrutura mental e nem econômica para ficar com a filha. A família, originária do Japão, não lhe prestou nenhum tipo de apoio ou acolhimento, então, só lhe restou tomar essa difícil decisão, por ela e pela filha. Dar a filha em adoação foi o caminho. Mas ela não desejava perder a filha totalmente e resolveu fazer um contrato com os pais adotivos. Durante todos os anos ela recebeu um pacote com uma carta sobre o desenvolvimento da filha e fotos do seu cotidiano. Penny, também recebeu o nome escolhido por Mika, Pennélope.
Hoje, aos 35 anos, Mika não tem muitas perspectivas na vida. Após um trauma muito grande e a perda da filha, ela sente que perdeu as rédeas e a vontade do viver. Abandonou algo pelo qual era apaixonada, a pintura. Hoje não coleciona muitos prazeres em que focar e a vida financeira se encontra uma bagunça. 35 anos, mas ainda se sente perdida como na adolescência. Mas basta uma ligação para que sua vida encontre novos rumos... Penny a encontrou.
Demorei um pouco a me envolver com a leitura, talvez por ser narrado em terceira pessoa. A Mika não é uma protagonista da qual eu tenha gostado logo de cara e as decisões iniciais que ela tomou na trama, confesso que me fizeram dar uma torcida de nariz. Mas aos poucos comecei a me envolver e a entender melhor a protagonista. Conhecer mais do seu passado, me fez entender as inseguranças que a levaram a tomar algumas decisões.
Mesmo com uma protagonista madura, pela sua situação de vida, conseguimos observar seu amadurecimento e é bonito quando ela, finalmente, faz às pazes com seu passado. Quando ela perde o medo da vida e volta a se colocar no caminho certo. E interessante que tudo isso venha acompanhado dela aprendendo a lidar com duas pessoas inesperadas, a filha e o pai adotivo da filha. E sem deixar de lembrar, dela entendendo como pode levar a relação com a própria mãe de uma maneira melhor.
Uma leitura que apesar de possuir temas fortes como abuso sexual, adoção e relações familiares complexas, ainda consegue ter a sua leveza e aquecer o coração de quem a lê, pelo menos foi isso que a história consegui fazer comigo. Tem um toque de romance, de amizades e traz representatividade japonesa e LGBTQ+. Recomendo a leitura para os amantes de uma história leve e com temas importantes também.
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