Marisa vive com crises existenciais e de ansiedade. Parece que ela só consegue enfrentar o dia com uma dose de lorazepam, um tarja preta que age no sistema nervoso. Marisa só dá conta de sua vida, entorpecida de remédio ou assistindo a vídeos no YouTube. E lendo a história, vemos que a personagem-narradora é a personificação do que muitas pessoas vivem nos dias atuais.
Apesar da protagonista viver uma vida cheia angústias, a narrativa possui um humor ácido que me agradou muito e, mesmo que não me identifique com a vida dela, foi possível ter empatia por todos os dilemas sociais e de convivência que Marisa possui. Algumas das situações vividas por ela no cotidiano, são bastante comuns em nossas rotinas, o que gera uma conexão entre nós, leitores, e as questões da personagem.
Demorei um pouco a me sentir engatada na leitura, mas aos poucos comecei a me envolver e me ver curiosa pelos rumos que a vida de Marisa poderia levar. Acabei surpresa com alguns acontecimentos e com algumas atitudes da protagonista mais ao final do livro e com certeza, o final me pegou de surpresa.
O livro me agradou, principalmente pelo humor ácido que carrega e pelas temáticas tão pertinentes na vida moderna. Assuntos como ansiedade, o uso descriminado de medicações, o entorpecimento pelas telas, a ansiedade, a forma mecânica com as quais, muitas vezes, fazemos as nossas obrigações diárias e a questão de nos manternos em lugares aos quais não nos sentimos satisfeitos. Em suma, o livro aborda assuntos importantes, mas como uma boa dose de humor que faz com que a leitura não seja pesada.
