Resenha | A soma dos dias

Isabel Allende perdeu a filha Paula no ano de 1992. Devido a complicações da porfiria - doença genética rara causada por deficiência enzimática -, Paula esteve em coma antes de falecer. Durante seu período em coma, Isabel lhe escreveu memórias que levaram, no ano de 1994, à publicação do livro "Paula". Já "A soma dos dias" são memórias que Allende escreveu após a morte da filha, uma forma, digamos, de contar a ela coisas que se passaram quando ela já não estava mais presente em vida. 

Nessas narrativas somos levados para dentro da família da autora. Enquanto lia, juro que me senti parte da "tribo", como a própria Isabel chama. Conhecemos fatos bastante pessoais da vida familiar e até sobre amigos que a rodeiam. Percebemos que Isabel não nega acolhimento e agrega pessoas em sua tribo sem restrições, portanto, somos levados a conhecer diferentes e diversas pessoas. 

Para além de narrativas familiarias, Isabel também não oculta erros que comete, momentos difíceis pelos quais passa e seu lado político também é bastante perceptível. Fiquei imersa dentro das palavras de Allende de uma forma tão boa. Mesmo sendo um livro de não-ficção consegue ser uma leitura envolvente, sobretudo pela escrita franca e repleta de sentimentos. 

Uma leitura íntima, sensível e que me proporcionou muitas boas horas de companhia. Uma leitura que foi mais vagarosa, mas também muito melhor aproveitada desta forma. Isabel abriu sua vida e foi como se eu estivesse dentro dela, vivenciando os acontecimentos e não são poucos acontecimentos, não. Apesar de ter sido uma leitura que me pediu para ser lida com mais calma, muita coisa se passa, muitas águas movem os moinhos dos dias...

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