Resenha | Se os gatos desaparecessem do mundo

 Um jovem carteiro descobre que está prestes a morrer. Com um câncer terminal ele agora se vê diante da morte iminente. Ele é uma pessoa solitária. Perdeu a mãe e não tem mais contato com o pai desde a morte dela. Sua vida se resume a trabalhar, e quando está em casa, sua única companhia é seu gato, o Repolho. Ele realmente não estava preparado para o diagnóstico, mas é a visita do Diabo, que realmente abala sua cabeça e sua vida. 

 O que o Diabo quer com ele? Fazer um trato, claro. Para cada coisa que o carteiro fizer desaparecer do mundo, ele ganhará um dia a mais de vida. Com tantas coisas inúteis existentes no mundo, qual seria o problema de fazer um trato assim e salvar a própria vida, não é mesmo? Mas claro que um pacto com o Diabo não seria tão simples assim...

 Apesar dessa premissa maluca, ele com certeza conseguiu aquecer o meu coração com uma trama que acaba fazendo com que o leitor reflita sobre a própria vida, as próprias escolhas. E faz pensar com mais carinho em algumas coisas da vida que podem parecer bastante dispensáveis, mas que no fundo, sem elas as coisas se tornariam bem mais complicadas e confusas como acaba descobrindo esse carteiro. 

 Além dessas questões reflexivas da vida geral, as relações desse jovem prestes a morrer com outras pessoas também é explorada. Entendemos o seu jeito e como ele acabou nessa fase da vida, praticamente, sem ninguém ao seu lado. Com certeza o leitor introspectivo irá conseguir se identificar com o personagem. Gostei de ver as relações familiares dele e em como essa história nos lembra que mesmo que sejamos família, os laços precisam ser cuidados para que sigam a florescer. E para os amantes de felinos, assim como eu, com certeza irão amar conhecer o Repolho. 

 Esse é um livro curto, simples e pode até soar meio raso já que não se aprofunda tanto, mas por aqui chegou ao coração mesmo assim. Gosto desses livros que nos dizem o óbvio que precisa ser lembrado, sabe? O romance de estreia de Genki Kawamura fala sobre perda, vida e sobre perdoar. 

 "Estar vivo só por estar não faz sentido nenhum, no fim das contas. O que importa mesmo é a forma como se vive."


 

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