Resenha - Imperfeitos

Imperfeitos, Cecelia Ahern
Nova Conceito, 2016





#Sinopse: Celestine North vive em uma sociedade que rejeita a imperfeição. Aqueles que praticam algum ato julgado como errado são marcados para sempre, excluídos da comunidade, seres não merecedores de compaixão. Por isso, Celestine procura viver uma vida perfeita. É um exemplo de filha e de irmã, uma aluna excepcional, adorada por todos do colégio, além do mais, ela namora Art Crevan, filho da autoridade máxima da cidade. Em meio a essa vida perfeita, Celestine se encontra em uma situação incomum, que a faz tomar uma decisão instintiva. Ela faz uma escolha que pode mudar o futuro dela e das pessoas a seu redor. Ela pode ser presa? Pode ser marcada? Poderá se tornar, do dia para a noite, Imperfeita? Nesta distopia deslumbrante, Cecelia Ahern retrata uma sociedade em que a perfeição é primordial, e quem cometer qualquer ato falho será punido.

#Opinião: Em Imperfeitos, a autora Cecelia Ahern, tão conhecida por seus romances, nos surpreende com a escrita dessa distopia. Acompanhamos Celestine, nesse mundo onde quem comete atos "infracionais", tem a pela marcada, assim como fazem com gado. Sim, com brasa. 

 Assustador, não é mesmo? Mas para Celestine, a garota exemplar, isso é algo normal. A sociedade entende o que o Tribunal faz com as pessoas. É um modo de manter a sociedade limpa, mostrando para todos quem são as pessoas imperfeitas, das quais se deve manter distância. 

 Os imperfeitos têm sua vida vigiada, seus luxos são tirados e ainda precisam viver com toque de recolher. Celestine, tem um ato de bondade com um imperfeito e isso à leva a julgamento. A garota é a namorada do filho de seu juiz, mas após acontecimentos que prefiro não comentar aqui, ela é julgada imperfeita e tem suas marcações determinadas.


"Aquilo que você viu, está visto. Aquilo que você ouviu nunca mais poderá não ter sido ouvido. Eu sei, lá no fundo, que esta noite aprendi algo que não pode ser desaprendido. E esta parte do meu mundo que foi alterada nunca mais será a mesma." 

 A partir desse momento, vemos uma Celestine mais questionadora. É mesmo necessário que se marque alguém por coisas tão simples? Por pequenas mentiras, por algum ato de bondade "a quem não se devia"? A protagonista me conquistou aí, porque até então, ela não me descia muito bem, não. Uma menina que achava que o mundo era uma perfeição e não ligava muito para o resto das pessoas. Ela precisou que acontecesse com ela, pra entender que precisamos questionar as coisas e não apenas só aceitar. 

 O livro termina sem muitas repostas e deixa aquele gosto de quero mais e teremos mais. Cecelia soube instigar o apetite do leitor e o livro corre sem que nos demos conta, pois só pensamos em querer saber o que vem adiante. Não entendi o porquê de quem comete crimes mais graves, não ser marcado. Não faz muito sentido que apenas atos "bobos" sejam punidos. Mas foi a única parte que ficou mal. 

 Já quero a continuação, porque eu amo esses livros que fazem das protagonistas umas guerreiras. Celestine se transforma em uma e tem a chance de que a coisa de perfeitos e imperfeitos acabe. São as nossas imperfeições que nos fazem quem somos e se não pudermos errar, como aprenderemos a acertar? Adorei a distopia e acho que além do mais, ela nos faz refletir sobre o conceito da perfeição. 

Por Roberta Muniz


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