Resenha - A (r)evolução das mulheres

IMPACTANTE! Começo a resenha desse livro com essa palavra. 

Um crime bárbaro acontece. Uma garota é abusada e morta e as partes do seu corpo são encontradas na floresta. Por grande parte da floresta. 

Alguns anos se passam e sua irmã, Alex Craft, tenta seguir com a vida. Mas Alex, não é uma garota comum. Ela nutre sentimentos de vingança, raiva e tensão formam quem ela é, ou se tornou em consequência da vida.


Ficha técnica
Autora: Mindy McGinnis
Editora: Plataforma 21
Ano: 2017
Páginas: 344
Efepê, que ganhou esse apelido por ser a filha do pastor, é uma garota comum, apesar de seu pai carregar esse título. Com os problemas adolescentes típicos, ela nos é apresentada. Trabalhando como voluntária no abrigo de animais abandonados, ela quebra a tensão de Alex Craft aos poucos e uma amizade começa a surgir. 

Além de capítulos narrados pela Efepê (Claire) e pela Alex, também há capítulos narrados por Jack, um jovem que acaba nutrindo um grande interesse pela Alex, apesar de pouco saber sobre ela. Mas Jack é um garoto que se deixa levar e Branley (a garota popular da escola) que além de "roubar" o namorado de Efepê, tem relações com Jack sempre que deseja. 

Mas nada é tão simples assim. O assassino da irmã de Alex foi morto e adivinhem quem o matou? Não, isso não é um spoiler. Logo no começo já nos é apresentado este fato. Mas ao contrário do que é apresentado na sinopse do livro, a garota não é nenhuma caçadora estrupadores e afins. 

Os livros não me ajudaram a encontrar uma palavra para me definir; meu pai se recusou a aceitar o peso disso. Então inventei. Meu nome é vingança.
 A Alex tem algo obscuro dentro dela, que a própria não sabe de onde surge. Mas ela direciona essa força bruta para aqueles que fazem coisas que atingem às mulheres.

A autora mostra o quanto a nossa sociedade é machista e enxerga as mulheres como um mero objeto. Mostra que quando um homem é infiel, a mulher culpa a outra e não ao cara que lhe devia a fidelidade. O livro te dá um impacto. Te coloca pra pensar, mas não somente na questão do abuso, do machismo, mas te coloca pra refletir sobre o que é "certo e errado". 

Mas "meninos são assim mesmo", é nossa expressão preferida e que serve de desculpa para tanta coisa, ao passo que para falar do gênero oposto, só dizemos "mulheres...", com um tom de desdém e acompanhando de um revirar de olhos.
Ficamos em contradições de sentimentos, porque embora saibamos que o que Alex faça seja errado, aqueles homens não mereciam? Ou nunca faça justiça pelas próprias mãos valeria? Um homem que molesta uma mulher não molestará outra?

E nós, que vemos tantas atitudes ruins e erradas, sem mover um dedo pra mudar? Nós não temos uma parcela de culpa? Um livro que te deixa muitos questionamentos e te tira do lugar de conforto. E gente, o final é de lascar.

Vivo em um mundo em que  não ser molestado na infância é considerado ter sorte.

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