Resenha - A guerra que salvou a minha vida

“Deixa de insolência”, ela disse. Sua boca se contorceu no sorriso que me apertava as entranhas. “Você não pode ir embora. Nunca vai poder. Está presa aqui, bem aqui nesta casa, com ou sem bombas.


A guerra que salvou a minha vida, Kimberly Bradley
Editora Darkside, 2016





 Ada é uma menina de dez anos, ao menos é essa a idade que ela supõe que tem. Ela vive com a mãe e com o irmão caçula. Ada sofre de uma enfermidade que nasceu com ela, seu pé é torto. Vivem apenas com o pouco que a mãe ganha no seu trabalho e muitas vezes passam fome, além da comida ser pouca, o melhor dela fica para a mãe. A mãe trata Ada como se ela fosse uma aberração. A menina nem ao menos pode sair de casa e assim assiste a vida pela janela e pelos olhos do irmão caçula por que a ele o mundo quer ver, como a mãe deles diz. 





A guerra está prestes a estourar e as crianças são convocadas a partirem para cidades do interior, para que assim estejam mais seguras. Claro que a mãe dos irmãos não pensa na segurança deles e assim lhes diz que eles não sairão de casa e que permanecerão com ela, com bombas ou não. Ada diz ao irmão para descobrir de onde as crianças partirão, pois ela já não aguenta mais a tortura que é viver naquela casa. Eles então partem rumo à uma nova oportunidade de vida. 

 Chegando a nova cidade, eles aguardam em fila para que as famílias possam lhes escolher para acolher nessa nova estada. Sujos, mal vestidos, ninguém os escolhe e assim eles são levados para a casa da senhorita Susan. Apesar de não saber lidar com crianças, Susan trata de lhes dar banho, comida e afeição na medida do possível. A relação deles vai se construindo aos poucos e com desafios vão se virando. 




“Ele achou que eu estava mentindo, ou, na melhor das hipóteses, exagerando. Agora voltava a encarar o meu pé ruim. Senti uma onda de calor subir pelo meu pescoço. Pensei no que a Susan faria. Espichei o corpo, cravei os olhos no homem e disse, empertigada: ”Meu pé ruim fica muito longe do meu cérebro”


 A partir desse ponto do livro, vemos os desafios encontrados pelos irmãos. Jamie, o caçula por vezes quer voltar pra casa e a noite faz xixi na cama. Ada por vezes faz birras e se torna até mesmo ingrata com Susan que faz de tudo para tratá-los o melhor. Mas e a mãe? Onde está que não responde as cartas mandadas por eles? Ela vai aparecer para pegá-los de volta? Durante a leitura, eu morria de medo de que essa mãe terrível aparecesse. O que ela faz com as crianças e principalmente com a Ada, é abominável. A guerra vai mesmo ser capaz de salvar essas crianças? O livro é um primor. Uma história linda e emocionante. A leitura fluiu fácil demais comigo e eu me envolvi rápido demais. Eu sou suspeita para falar sobre livros que tem o pano de fundo a Segunda Guerra, eles sempre me tocam profundamente e pra quem também gosta, fica a dica. Pra quem não costuma ler, também fica a dica de uma história que emociona.



Beijinhos da Beta
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